28 de mai de 2017

DYNASTY - Motus Perpetuos (Álbum)


2004
Avantage Records
Nacional


Tracklist:

1. Not in Vain
2. Eternity
3. Against All Evil
4. The Word That Remains
5. Miztvoth
6. Following the Sign
7. Another Chance
8. Salvation
9. Just for Loving You
10. The Time is Over
11. Goldenland


Banda:


Nahor Andrade - Vocais
César Martins - Guitarras
Tuta - Guitarras
Gustavo Ivon - Teclados
Ivan Almeida - Baixo
Ademir Machado - Bateria

Convidados:

Eduardo Parronchi - Guitarras em “The Word That Remains” e “Miztvoth”
Ricardo Parronchi - Backing vocals em “Against All Evil” e “The Time is Over”, baixo em “The Word That Remains”
Rodrigo Grecco - Backing vocals em “The Word That Remains” e “Miztvoth”
Valdir Vale Maia - Violoncelo em “Goldenland”


Contatos:

Twitter:
Instagram:
Assessoria:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Há alguns dias, tivemos a oportunidade de resenhar o mais recente álbum do grupo mineiro DYNASTY, “Step by Step” (que já deve ter sido lançado pela Marquee Records por estes tempos). Mas eis que chega a nossas mãos a versão deluxe de “Motus Perpetuos”, disco de 2004 e esta versão foi lançada em 2007. E achamos interessante falar do passado do grupo, sem tirar os valores atuais.

Aqui, o lado Power Metal da banda era bem mais evidente, com melodias mais bem trabalhadas e maior participação dos teclados. Mesmo porque, na época, o grupo era um sexteto, com um tecladista fixo. A maior diferença em relação aos dois trabalhos é simples: enquanto “Step by Step” possui uma pegada mais pesada, agressiva e moderna, “Motus Perpetuous” tem um jeitão mais elegante, realmente mais voltado ao Power Metal, apresentando boa técnica e muitos arranjos de primeira, sem contra que o grupo mostra personalidade e é bem versátil.

Ou seja: se percebe que a banda evoluiu entre os discos, mas mantendo a consensualidade de seu estilo.

A produção é de Ricardo Parronchi, tendo a mixagem de Paulo Brancaccio, mais a masterização de Heron Trench. Óbvio que a qualidade sonora de “Motus Perpetuous” é ótima, bem esmerada e limpa, mas com aquela dose de peso essencial ao Power Metal. E, além disso, a arte gráfica desta versão ficou muito bonita, o layout ótimo e tudo de primeira categoria, em uma apresentação realmente diferenciada.

O grupo mostra boa técnica e peso de sobra, mas seu foco é realmente na totalidade de cada música, esquecendo completamente de virtuosismos individuais que nada acrescentam ao trabalho deles. E a dinâmica entre os instrumentos e os vocais é ótima. Eles realmente capricharam.

Por melhores momentos do CD, destacam-se a ótima e envolvente “Not in Vain” (que apresenta teclados muito bons, ótimos vocais, e certo “feeling” anos 80 interessante), a força dos riffs e mudanças de ritmo de “Eternity” (onde baixo e bateria mostram seu valor), a pegada pesada e ganchuda de “Against All Evil” e “Following the Sign”, o baixo forte e pesado de “Another Chance”, o lado mais sensível e introspectivo mostrado em “Just for Loving You”, e a bem feita e trabalhada “Goldenland”.


Ou seja: mesmo que a roupagem mude, o DYNASTY é sempre uma banda de primeira.

MAESTAH - Maestah (Álbum)


2014
Independente
Nacional

Nota: 8,7/10,0


Tracklist:

1. The Pilgrim
2. The Desert of Soul
3. Sands of Time
4. Shelter
5. Angels Cry for Me
6. City of Destruction
7. Gate of Damnation
8. Little Shining Star
9. Mia Piccola Stela


Banda:


Celso de Freyn - Vocais
Lucas Santana - Guitarras
Diego Maciel - Teclados
Eduardo Pieczarka - Baixo
Marlon Roberto - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Bandcamp:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Falar em Prog/Power Metal, em geral, remete os fãs àqueles trabalhos musicais com viagens instrumentais longas, técnica exacerbada que, para muitos, é algo um pouco entediante. Muitas bandas do gênero perdem a linha justamente por esquecerem que o mais importante é a música em si, não a técnica individual (está é uma consequência da primeira, não o oposto). Mas quando uma banda acerta a mão, o trabalho fica muito bom. E o MAESTAH, de Curitiba (PR) mostra que sabe o que faz em seu primeiro trabalho, “Maestah”.

Na época do lançamento, o quinteto ainda era uma banda com apenas dois anos de experiência na bagagem. Mas mesmo assim, eles souberam fazer algo que transita entre o Prog e o Power Metal, mas com peso e uma pegada bem pesada. Se o ouvinte quer técnica, encontrará, mas como consequência do que o grupo faz musicalmente. E por isso, o quinteto mostra uma autenticidade, uma espontaneidade muito interessante e com melodias que nos envolvem.

“Maestah” é mais uma ótima produção que sai das mãos de Karim Serri, e a masterização é de Fábio Henriques. A sonoridade resultante é algo mais seco e um pouco mais cru do que a qualidade que estamos acostumados em bandas que trilham este caminho. Mas deu peso e consistência ao trabalho do grupo, diferenciando o quinteto de uma enxurrada de bandas similares. E a arte gráfica de Rafael Taravres Gripp ficou ótima e elegante, dando corpo à música de bom gosto deles.

O MAESTAH pode render mais, fica óbvio na audição do álbum. Mas já possuem identidade, sabem o que querem fazer e a criatividade que mostram é muito boa. Aliado a isso, a música da banda não soa enjoativa por evitarem transcender os 7 minutos de duração (apenas duas delas passam de seis minutos), logo, fica bem mais acessível aos fãs dos mais variados gêneros de Metal.

Melhores momentos de “Maestah”: a pesada e progressiva “The Pilgrim” (muito boa técnica, mas teclados, baixo e bateria estão muito bem, sem mencionar um belíssimo refrão), os elementos “noir” que ganham um peso elegante e bem trabalhado em “The Desert of Soul”, o peso opressivo e cheio de toques bem feitos de teclados de “Sands of Time”, a energia bem melodiosa e com vocais azedos de “Angels Cry for Me” (em alguns momentos, lembram um pouco o estilo de Bruce Dickinson), o andamento cheio de mudanças e “heavyssivo” de “Gate of Damnation” (cheio de momentos pesados, sustentados por belos arranjos nos teclados), e as duas versões de “Little Shining Star” e “Mia Piccola Stela”, cuja diferença está no idioma, e que a segunda tem arranjos mais voltados às guitarras limpas, mas ambas são muito boas.

Se ainda lhes faltava certa experiência na época, o segundo disco deles promete!


SAINT - Too Late for Living (álbum)


1988
Avantage Records
Nacional

Tracklist:

1. Too Late for Living
2. Star Pilot
3. The Accuser
4. The Rock
5. On the Streets
6. Returning
7. The Path
8. Through the Sky
9. The War is Over


Banda:


Richard Linch - Vocais
Dee Harrington - Guitarras
John Mahan - Guitarras
Josh Kramer - Baixo
John “The Machine” Perrine - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Youtube:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Quando ouvimos discos de uma banda veterana no cenário, a cobrança pode ser extremamente pesada, uma vez que o nome grupo, muitas vezes, já nos deixa ansiosos pelo que pode vir, além da qualidade de trabalhos anteriores nos leva a querer que o grupo sempre se supere (ou que, no mínimo, se iguale). E aqui, estamos falando de um veterano calejado, o SAINT, de Salem (OR) Mas não se preocupem, pois “Too Late for Living”, primeiro disco do grupo, é ótimo.

Aqui se ouve aquilo que chamamos de US Metal, ou seja, aquela mistura do peso que a escola europeia do gênero legou ao mundo, mais a técnica e melodias bem definidas que os músicos norte-americanos carregam em seu DNA. Ou seja, é uma combinação muito boa de peso, agressividade e melodias. E a banda possui um trabalho esmerado em cada refrão das canções do disco, bem como o nível de acessibilidade musical é alto, mas sem que caia no Hard Rock ou no Glam Metal. Óbvio que fãs de bandas como OMEN, LIZZY BORDEN, VICIOUS RUMORS, MALICE e outros dessa safra irão se identificar bastante com o trabalho do SAINT.

Dave Lohr e Richard Linch são os produtores do álbum, e eles conseguiram dar uma sonoridade firme e pesada ao grupo. Poderia ser melhor, pois ela soa um pouco crua demais, mesmo para aqueles dias. Mas se percebe que essa sujeira dá peso e energia ao trabalho do grupo. Além disso, a arte da capa eixa clara a mensagem do grupo.

Musicalmente falando, o SAINT segue a escola da época: energia, melodia, peso e temas grudentos. Mas se percebe que os arranjos do quinteto são ótimos, bem polidos, mas espontâneos.

Chega a ser um grave pecado não falar de canções como “Too Late for Living” e sua energia intensa e crua (com aquela clara influência do JUDAS PRIEST, especialmente nas guitarras e vocais), a melodia funcional e ótimo refrão de “Star Pilot” (mais uma vez, ótimos vocais e backing vocals fortes), a ganchuda e cheia de guitarras fantásticas “The Rock”, a envolvente linha melodiosa e técnica que a banda usa em “Returning” (baixo e bateria estão muito bem, verdade seja dita, mas por ser uma instrumental, as guitarras chegam a cuspir fogo), a rascante e selvagem “Through the Sky” e suas guitarras faiscando em riffs pesados e solos de primeira, e a mais acessível e com pegada hardona “The War is Over”.

Para os fãs da banda, “Too Late for Living” é um clássico. Mas de lá para cá, nesses quase 30 anos, a banda tem outros lançamentos ótimos. O SAINT continua por aí, logo, prestem atenção que vem coisa boa em breve!

O Metal Samsara não afere notas a discos clássicos, mas este levaria um "10,0/10,0" de olhos fechados!

RIFFOCITY - Under a Mourning Sky (Álbum)


2017
Importado

Nota: 9,3/10,0

Tracklist:

1. Hail Thy Father
2. Arnis Oblivion
3. Bitter Sunday
4. Fortunes of Death
5. This Eternal Secret Lies Above
6. From Inside the Arrows Come
7. Isolation
8. Perished Unloved
9. Under a Mourning Sky
10. Above the End


Banda:



Thomas Trampouras - Vocais
Giorgos Lezkidis - Guitarras, backing vocals
Dimitris Kalaitzidis - Guitarras, backing vocals
Panos Savvas - Baixo

Convidados:

Bob Katsionis - Guitarra solo em “Above the End”
Constantin Maris - Vocais


Contatos

Site Oficial: 
Twitter: 
Instagram: 
Bandcamp: 
Assessoria: 

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Uma das características mais interessantes do Metal como um todo é sua capacidade de mudar, de crescer e evoluir a partir de um estilo. Quantas e quantas experimentações já não renderam novos gêneros e possibilidades dentro do gênero?

As possibilidades são infinitas, dependendo apenas dos músicos. E em termos de criatividade, as bandas da Grécia tem se mostrado capazes de arcar com desafios bem difíceis e se saírem bem. Deve ser o sangue de Alexandre, o Grande. E grandioso é o trabalho do RIFFOCITY, banda de Serres (Macedônia Central), que nos brinda com o excelente “Under a Mourning Sky”, seu primeiro álbum.

O grupo mostra uma criatividade imensa, pois misturaram o Thrash Metal mais raivoso de METALLICA, TESTAMENT e MEGADETH com o toque melodioso do ICED EARTH, permitindo assim surgir um híbrido renovado e pronto para tomar o mundo de assalto. E mesmo alguns arranjos com teclados entram no meio da massa sonora de ótimos riffs agressivos (e solos melodiosos), vocais com timbres agressivos da voz normal (e bem próximos ao estilo de Matt Barlow nos momentos mais calmos), e uma base rítmica intensa, pesada e bem trabalhada.

E assim, o quarteto mostra que tem personalidade e estilo bem próprio.

Tendo mixagem e masterização feitas por Bob Katsionis (guitarrista e tecladista do FIREWIND) no Symmetry Studio, não é à toa que “Under a Mourning Sky” soe tão bem aos ouvidos, sendo capaz de soar agressivo e poderoso, mas com clareza instrumental e vocal. Ou seja, o disco é capaz de soar agressivo e elegante sem nenhum problema.

E a arte da capa expressa os contrastes existentes no trabalho musical do grupo, pois é elegante e azeda (mostrando uma imagem de Cronos, o titã), mas com uma forte agressividade subjetiva devido ao contraste de cores.

Melhores momentos do disco: as misturas de riffs agressivos de guitarras contrastando com teclados melodiosos em “Hail Thy Father” e “Arnis Oblivion” (onde o lado mais melodioso e com grande influência de ICED EARTH fica bem evidente, especialmente nos vocais), a base rítmica de baixo e bateria em “Bitter Sunday” (cheio de ótimos arranjos, com a agressividade sendo explicitada de forma maravilhosa), a força melodiosa e envolvente que surge de forma bem espontânea em “Fortunes of Death” (mais uma em que os vocais mostram um trabalho muito bom), a mezzo melódica mezzo agressiva “From Inside the Arrows Come”, além da pegada pesada e belíssimo trabalho de arranjos nas linhas melódicas e harmonias de “Under a Mourning Sky” e “Above the End”.

Mais um grande nome do cenário Metal da Grécia, com muito potencial, e que só precisa de uma ouvida sua para que o futuro deles possa ser grandioso.

Ponho fé e recomendo!



27 de mai de 2017

STAUROS - Vale das Sombras (Álbum)


2014
Independente
Nacional

Nota: 8,7/10,0


Tracklist:

1. Vale das Sombras
2. Indiferentes
3. Ainda Há Tempo
4. Cidade de Refúgio
5. Estrada de Sangue
6. Apostasia
7. Tudo o Que Eu Preciso
8. Não Desista
9. Marcas da Desilusão
10. Esperando em Ti
11. City of Refuge


Banda:


Celso de Freyn - Vocais
Renatinho - Guitarras, violão
Alessandro Lucindo - Guitarras

Convidados:

Raphael Dafras - Baixo
Lucas Fontana - Bateria
Diego Maciel - Teclados
Wagner Darek – Pianos, cordas em “Cidade de Refúgio” e “City of Refuge”


Contatos

Site Oficial: http://stauros.com.br/
Bandcamp: 
Assessoria: 

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O cenário brasileiro possui muitas bandas veteranas, indo do Metal extremo aos gêneros mais melodiosos. Isso mostra como a evolução do Metal como um todo em nosso país foi bastante abrangente. Muitos lutam dentro do cenário por anos, e nem sempre são reconhecidos.

Dos anos 90, um veterano bem reconhecido é o STAUROS, de Itajaí (SC), e aqui temos o último disco de estúdio da banda até o momento, “Vale das Sombras”.

O estilo da banda é o bom, velho e forte Metal Progressivo com forte ranço de tradicional e alguma influência de Power Metal germânico, com boas melodias e muito peso. Óbvio que esta fórmula já foi usada tantas vezes nos últimos anos que de ver o rótulo, muitos torçam o nariz. Mas verdade seja dita: eles têm personalidade e fazem um trabalho de muita qualidade. E uma descrição um pouco mais simples seria dizer que o grupo segue uma linha bem próxima dos veteranos do FATES WARNING de seus primeiros trabalhos de Metal progressivo (“Awaken the Guardian” e “No Exit”), mas com muito peso e agressividade.

A produção de “Vale das Sombras” é de Karim Serri, que não só permitiu uma sonoridade pesada e agressiva, com boa dose de crueza, mas manteve um bom nível de clareza, permitindo que o grupo soe claro aos ouvidos de todos.

A arte da capa e do CD como um todo transparece a mensagem do título, por isso os tons escuros prevalecem.

O ótimo trabalho do grupo pode ser sentido em faixas como “Indiferentes” e seus belos arranjos de guitarra e teclados, na força melodiosa e envolvente de “Ainda Há Tempo”, nos lindos detalhes em pianos e cordas de “Cidade de Refúgio” (onde os vocais mostram timbres suaves muito bons), na força grooveada e moderna de “Estrada de Sangue”, na pegada mais melodiosa e introspectiva de “Tudo o Que Eu Preciso”, no peso intenso e galante de “Marcas da Desilusão” e no azedume de “Esperando em Ti” e seus arranjos pesados. E “City of Refuge” é uma versão linda em ingles de “Cidade de Refúgio”.

No mais, o STAUROS já está quase lançando seu novo disco, logo, esperemos para ver. E até lá, “Vale das Sombras” é uma ótima forma de passar o tempo.

POWER PRAISE – Powerpraise (Álbum)


2014
Nacional

Nota: 9,1/10,0


Tracklist:

1. Apocalipse 21
2. Cordeiro Santo
3. Fé
4. Filhos de Deus
5. Não se Pode Deter o Poder
6. O Poder do Amor
7. Salmo 148
8. Maranata
9. Esperando
10. Eis-me Aqui
11. Crucificado
12. Vencedores


Banda:


Guilherme Born - Vocais
Cecília Neufeld - Vocais
Rodrigo Godoy - Vocais adicionais
Celso de Freyn - Vocais adicionais
Gil Lopes - Vocais adicionais
Pipe - Guitarras
Luciano - Baixo
Wellington Torquetto - Bateria
Gê S. Filho - Bateria
André Ribas - Teclados


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O Brasil parece ter uma vocação interessante para o Power Metal melódico e suas vertentes. Sim, é incrível reparar como existem bandas por aqui fazendo um trabalho de primeira no gênero. E um nome bem interessante e com um trabalho bem forte é o POWER PRAISE, de Curitiba (PR), que em seu primeiro disco, “Powerpraise”, se percebe seu potencial.

O que há no disco é: um Power Metal bem melodioso e pesado, tendo como influências mais básicas HELLOWEEN e, obviamente, IRON MAIDEN. A diferença é que a música do grupo segue em sentido contrário à escola alemã e italiana, onde clareza e técnica muitas vezes sobrepõem o lado pesado. Não, não nesse disco, pois aqui o peso chega a ser muitas vezes a tônica da banda. No fundo, os nomes que estão na formação sugerem que o POWER PRAISE é um projeto musical, pois tem gente de bandas como MAESTAH, STAUROS, DESERTOR e DOOMSDAY HYMN na formação, entre outros. Mas seja banda ou projeto, o disco é muito, muito bom.

A qualidade sonora é muito boa. Justamente por ter certa crueza, isso ficou muito bom para o trabalho do grupo. Além disso, a mixagem e masterização de Karim Serri deram brilho e peso ao trabalho do grupo, permitindo que os belos arranjos de cada canção fiquem claros.

Em termos de arte gráfica, a capa é muito bonita, transbordando o teor das letras do grupo. E o grupo canta em português, logo, os fãs poderão cantar nos shows deles sem problemas.

O trabalho, musicalmente falando, é bem homogêneo. Mas destacam-se a arrasa-quarteirão “Apocalipse 21” (com andamento veloz, belo trabalho de baixo e bateria, e conduções rápidas perfeitas, fora um refrão de primeira), os belos arranjos e mudanças de ritmos em “Cordeiro Santo”, o peso mais tradicional com cheiro de NWOBHM de “Fé” (as guitarras são ótimas, e os vocais dessa canção são bem na linha de “Ripper” Owens), o Power Metal seco e pesado ouvido em “Não se Pode Deter o Poder” e mais uma vez seu trabalho bem feito em termos de baixo e bateria, os belos arranjos de teclados em “Maranata” (onde um clima pesado e mais melodioso se faz presente), a linda e cheia de arranjos mais leves e introspectivos “Eis-me Aqui” (vocais femininos, teclados bem pensados, e as linhas melódicas são muito envolventes), e a dobradinha peso pesado de “Crucificado” (mais melodiosa e intensa) e “Vencedores” (mais pesada e elegante, com belos duetos de guitarra).

No mais, o trabalho do POWER PRAISE é recomendadíssimo, e esperamos que “Power Praise” não seja filho único.

ABERRATIO - Aberratio (álbum)


2017
Nacional

Nota: 7,8/10,0


Tracklist:

1. Nitimur in Vetitum           
2. Chernobyl              
3. Headless Philosopher
4. Christian Aberration                     
5. Politics for Politicians                   
6. Alienation              
7. Shit Man                
8. Assyrians
9. Satan Doom                      


Banda:


David Andrade - Vocais
Júlio Cesar - Guitarras
Nathan Franco - Baixo
Yuri Almeida - Bateria


Contatos:

Twitter:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia

Fazer Death Metal no Brasil é quase sempre estar em um molde bem tradicional, perto do que bandas como MORBID ANGEL, DISMEMBER, ENTOMBED, CANNIBAL CORPSE, DEICIDE e outros deixaram. E assim é com o quarteto mineiro ABERRATIO, de Poços de Caldas, que despeja uma torrente de brutalidade nos ouvidos de todos em seu primeiro álbum, “Aberratio”.

Seguindo a escola mais tradicional do estilo, mas buscando alguma influência em estilos mais extremos do Death Metal, com algumas referências a IMPALED e ABORTED (reparem nos vocais e na técnica da bateria e terão esta idéia), gerando uma massa sonora abusivamente agressiva, ora veloz e explosiva, ora mais cadenciada. E se por um lado o quarteto não vem para inovar o Death Metal, vem para somar forças, com um trabalho bem pessoal.

A sonoridade do CD é crua e brutal, como um disco de Death Metal tradicional deve soar. Mas a qualidade é seca, permitindo que compreendamos o que o grupo está tocando. Óbvio que poderia ser melhor em alguns pontos, mas está em um nível bem satisfatório e que não gerará reclamações. E a arte da capa é muito boa, assim como o layout simples e funcional.

Embora o quarteto ainda necessite de mais amadurecimento em termos musicais, o ABERRATIO já se mostra um grupo com talento, mostrando boa capacidade em termos de arranjos, a dinâmica entre instrumentos e vocais é muito boa, e tudo se encaixa. Está bom, mas pode melhorar, é isso que desejo dizer.

A banda mostra força em canções como a tradicional “Nitimur in Vetitum” e suas guitarras ferozes, um peso abusivamente agressivo em “Chernobyl” (os vocais estão muito bem no meio dessas mudanças rítmicas, bem como o baixo mostra sua técnica), a diversidade musical de “Christian Aberration” e os contrastes entre momentos mais intensos e outros de pura brutalidade (isso em um peso cadenciado excelente), na pogante e irresistível “Assyrians” e seu toque de HC (reparem como a banda mostra explosão de agressividade intensa, mais uma vez com bons tempos e guitarras muito boas), e o peso soturno e opressivo de “Satan Doom” e suas mudanças de ritmos.

Muito talento, energia de sobra, e criatividade acima da média. O ABERRATIO só precisa polir mais tantas qualidades com shows e ensaios, ver todas as possibilidades musicais que tem para se tornarem gigantes. Por agora, “Aberratio” é um disco muito bom e que mostra um trabalho promissor.



AXES CONNECTION - A Glimpse of Illumination (Álbum)


2017
Independente
Nacional

Nota: 8,1/10,0


Tracklist:

1. The Meaning of Evil
2. Rearrange Yourself
3. Wisdom is the Key
4. Use the Reason
5. Prepare Your Soul
6. The Gates
7. A Glimpse of Illumination
8. Journey to Forever
9. Skyline
10. The True Connection


Banda:


Márcio Machado - Vocais, teclados
Marcos Machado - Guitarras
Magoo Wise - Baixo
Cristiano “Hulk” Machado - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Youtube:
Instagram:
Bandcamp:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Algumas bandas têm investido bastante energia em sonoridades cada vez mais antigas. Mas os melhores trabalhos são justamente aqueles em que a personalidade dos músicos entra no contexto, permitindo que a música soe viva e atualizada, fugindo de sonoridades bolorentas. E nisso, o Brasil anda bem servido, já que mais e mais grupos estão surgindo, e sem cair na mania de “control+C – control+V” que já encheu a paciência.

Nisso, o quarteto gaúcho AXES CONNECTION mostra toda sua força e potencial em “A Glimpse of Illumination”, seu primeiro álbum.

Tendo na formação músicos experientes no cenário gaúcho, com passagens por nomes como DISTRAUGHT, as raízes do grupo vêm dos anos 90, quando a idéia nasceu, mas como eles foram trabalhando com outras bandas, o AXES CONNECTION só veio a se tornar uma realidade em 2014. E nisso, o cenário nacional ganhou uma banda com um Heavy Metal tradicional nos moldes dos anos 70, onde o que mais importa é o feeling, a inspiração musical, e não o quão rápido e virtuoso se possa tocar. É pesado e intenso, mas cheio de melodias muito bem feitas, envolvente e de fácil assimilação, e acima de tudo: inspirado.

Ou seja: apesar de não ser nada novo em termos musicais, o AXES CONNECTION é ótimo, tem personalidade e muito a dar ao público.

A produção é de Marcos Machado e do grupo, tendo mixagem de Felipe Haider e masterização de Benhur Lima, que garantiram uma sonoridade pesada e que soa bastante orgânica, algo essencial para a música do quarteto. Mas ao mesmo tempo, se percebe uma preocupação com a clareza, logo, se pode entender o que cada instrumento está fazendo. Óbvio que a qualidade poderia ser melhor, mas está em um bom nível. E a arte da capa remete ao título do trabalho, algo óbvio.

Mesmo sem buscar inovar ou renovar o Heavy Metal, o trabalho do AXES CONNECTION é muito bom, cheio de vigor e peso, com arranjos musicais bem feitos, além de muita espontaneidade e feeling, certos toques à lá LED ZEPPELIN e BLACK SABBATH, mas sem copiar quem quer que seja.

Melhores momentos: o peso intenso e melodioso de “The Meaning of Evil” (ótimo trabalho de baixo e bateria), a pegada mais energética e cheia de feeling de “Rearrange Yourself” (destaque para as boas mudanças de timbres dos vocais), a forte e densa “Use the Reason” (reparem bem na força dos riffs, no peso acentuado e leve azedume, além dos solos melodiosos), a levada mais rocker de “Prepare Your Soul” (reparem bem na influência “sabbathica” nas guitarras), o trabalho mais técnico e “grooveado” de baixo e bateria apresentado em “A Glimpse of Illumination” (com seu peso evidente sobre um andamento bem variado), a mais introspectiva “Journey to Forever” com seus arranjos de teclados, onde o feeling e despojo imperam; os toques “noir” de “Skyline” (uma bela instrumental, adornada mais uma vez com belos arranjos de teclados), e a multifacetada “The True Connection”, que em seus nove minutos de duração, permite que o quarteto exiba sua técnica e boas mudanças de ritmo.

O AXES CONNECTION veio para ficar, e “A Glimpse of Illumination” é a mostra de um nome com enorme potencial!